sábado, 12 de maio de 2007

EU SOU A MULHER DA SUA VIDA

Ufa! Chegou o final de semana! Sem pato tocando corneta, sem velho ranzinza para encher a minha caixa postal, sem lero-lero de político na minha cabeça. Acordei tarde e passei o dia no cabeleireiro, hora de fazer as patinhas! Afina de contas, como diz aquela pessoa de cabelos emaranhados, hoje tem aquele “bate-coxa” básico, né? Já fiz todos os contatos, Laurinha e Joana já estão chegando aqui em casa. Vamos fazer uma pré-night e partiu triângulo e zabumba!

A pista está cheia, a noite promete. Olho ao redor e nada me parece interessante. Vamos pegar uma mesa e começar os trabalhos. Cochichinhos a parte, avisto um espetáculo bem na minha frente, na beira da pista. Gente, meu número! Vamos traçar o plano de ataque. Tudo seria mais fácil se não existisse uma branquela magérrima, vestida de roxo, contaminando o meu alvo. Pensar, pensar... o tiro tem que ser certeiro. Já sei, vou mandar um bilhete.... essa estratégia é infalível! Papel e caneta nas mãos: “Eu sou a mulher da sua vida. Me liga: 9998.5456”. Pronto! Agora, o próximo passo: quem vai entregar? Até que se aproxima um tiozinho vendendo amendoim. Ah, é ele mesmo!

- Moço, eu tenho uma missão para você. Caso de vida ou morte, hein.
- Sim senhora, como posso ajudar?
- Está vendo aquele rapaz ali, de camisa azul?
- hum... não estou vendo..
- Ali, do lado da menina de roxo...
- hum....
- Moço, qual a possibilidade de pegar os óculos que estão bem na sua cabeça e colocar na cara?
- Ah sim... agora vejo quem é.
- Então, entregue esse bilhete, discretamente, mas só depois que a branquela de roxo sair dali.
- Está bem.

Comprei um amendoim para fazer uma média e ficamos nós três observando a atuação do tiozinho. Quem se lembra do filme “O tubarão”? E aquela parte do bichão rondando o barco em círculos? Pois é, essa era a cena que avistávamos da nossa mesa, o vendedor do amendoim rodeando a vítima até a perua sair dali. Ela sentou, é agora ou nunca, pensei! Amendoim-man leu meus pensamentos. Entregou o bilhete. Ai meu Deus, agora não tem mais jeito... ele está lendo... e para completar, vejo vir em minha direção o homem do amendoim! “Não se aproxime de mim”! , falei entre os dentes...

Ele está procurando a autora louca do bilhete... caramba, virou para a nossa direção. Que ótimo! Todas as provas do crime nas mãos: amendoins, caneta e celular... preciso sumir!! Saí correndo para outra direção. Me livrei das provas e retornei à mesa com a classe da princesa de Mônaco! “O teu celular vai tocar”, disse a Laurinha, “Vai nada... ta maluca”? Menina, não é que vibrou... e agora? Chegou um torpedo. “Onde você está”? Respondi: “mais perto do que você imagina”. E ficou nesse troca-troca, até a bateria da pessoa acabar... Fala, isso é hora da bateria do celular do garoto acabar?? A minha última mensagem foi: “me encontre na parte de cima”. E parti para lá. Com visão privilegiada, só vejo o pobre coitado trocando a bateria com um desconhecido do lado.... que constrangedor! Tudo bem, força na peruca! Não posso entregar os pontos agora. No que eu olho ao redor, só tem eu na parte de cima do bar... hora de sumir!!!

Voltei para a mesa e lá estava a pessoa perdida. As horas passaram, ele não me achou e perdeu a noite. Acabou no zero a zero... e eu também, é verdade! Hora de ir embora, mandei o último torpedo: “que pena que sua bateria acabou! Você perdeu a chance de conhecer a mulher da sua vida!”. Não bastasse tudo isso, a pergunta que não quer calar: quanto tempo ele vai demorar para pegar o recado? Hum... lei da física: dependendo do tempo que demorar para responder, teremos uma noção de onde ele mora. Esse é um dado importante. Chego em casa, tomo banho, coloco meu pijama... até agora, nada! Gente, qual o paradeiro da pessoa?? Uhu, Nova Iguaçu?? Mais longe, talvez... que meda!!!

Hum, nesse momento começo a colocar em dúvida a minha afirmação. Sabe, acho que nem sou a mulher da vida dele... Esses equívocos acontecem, né? Não sei, mas acho que eu era a mulher da vida do carinha do lado... será? Bom, a solução é dormir e me convencer de que, por enquanto, não sou a mulher da vida de ninguém. Antes solteira do que cultivando legumes num sítio qualquer, com aventalzinho amarrado na cintura...

Boa noite!
Obs: texto baseado em fatos reais. Amiga... essa história não podia passar em branco!!!

4 comentários:

Camila Pacheco disse...

Baseado em fatos reias ou surreias? hauhauahuahuaha

Preciso de explicações..

beijos

Anônimo disse...

Muito bom... Eu diria fatos surreais se considerarmos a parte 2.

Anônimo disse...

Eu Adorei!!!!!!!! Mtooo Bommmm!!!! Perfeito!!!!!

Bjs

Anônimo disse...

Ficou muito perfeito esse texto...segue fielmente os fatos narrados...rsrsrs

bjsss