“Declaro abertos os Jogos Pan-Americanos”, disse o presidente do CO-Rio, Carlos Arthur Nuzman. Mas essa frase não era para ser do Presidente da República?? Bom, deixa pra lá... A pergunta é: eu não deveria estar lá dentro nesse momento?? Pois é, o “x” da questão está justamente no “deveria”... mas não estava...
Aos fatos! Mas, antes de mais nada, não esqueçamos que estamos no Rio de Janeiro e nesse fatídico momento, havia uma Lorena Dechamps lá dentro, na área de imprensa, mas que seguramente não era eu.
O dia começou atropelado... o pato não tocou sua corneta porque acabou a pilha e o filme da madrugada na noite anterior era imperdível. Enfim, o óbvio aconteceu: perdi a hora! Quando acordei já passava das 11h, enquanto eu já deveria estar na redação desde 9h para antecipar algumas matérias e sair correndo para a abertura do Pan. Pronto, os meus “Jogos Desastramericanos” estavam abertos! Banho de gato, mergulho na primeira roupa avistada, salto triplo para alcançar a bolsa, duplo twist carpado para brigar pelo bronze no trânsito paulistano do Rio de Janeiro em tempos de Pan.
Redação, gritos do editor, pessoas insanas, hora de ir para o Maracanã. Credencial em mãos, lá fui eu no carro do jornal! Depois de um inferno astral, finalmente estava na boca do gol, quando percebemos que ficaríamos horas parados próximo ao Maraca sem conseguir chegar. A solução foi deixar o seu Maneco se virar com o carro e eu exercitaria mais uma modalidade esportiva: corrida com obstáculos (entenda-se ambulantes) até a entrada. Enfim, cheguei!
Encontrei a entrada de imprensa e lá fui eu apresentar a minha credencial para entrar. Credencial? Onde está a credencial? Essa não... esqueci no carro!!! Como assim, esqueci no carro??? Dechamps, você é monga ou o quê??? Tudo bem, vamos para o revezamento, obviamente sem ter com quem revezar, e fazer todo o percurso de novo para encontrar o carro do jornal no meio do engarrafamento... alguns minutos passados, lá estava!
- Seu Maneco, esqueci a credencial!
- Ai, ai, ai, Lorena... só você mesmo.... dê uma olhada no banco...
Revirei, revirei, lá estava ela! Reluzente ao lado da porta. Ufa! Vou pendurar isso no pescoço logo para não me enrolar ainda mais. Feliz, lá fui eu de volta encarar a multidão de ensandecidos! Tudo seria perfeito a partir de agora se a dez metros da entrada três pivetes não viessem me render com um canivete para entregar tudo!
- Perdeu, tia... passa tudo!
- Como assim “passa tudo”? Está louco?
- Quietinha... bolsa, celular, passa tudo....... senão, já sabe!
- Olha só, não posso te entregar nada disso... não tem nada de valor aqui mesmo... preciso entrar, mermão...
(ou isso, ou em vez de dar a notícia, vou virar notícia! Nossa.. já estou vendo a manchete: “Jornalista esfaqueada na entrada do Maracanã”)
Quando já estava me rendendo, as pessoas ao redor gritavam: pega ladrão!
Em segundos, dois policiais já estavam em cima dos moleques...
Ufa! Escapei por pouco!
Seria apenas uma aventura se o menor infrator não tivesse arrancado a credencial do meu pescoço antes de sair correndo da polícia! Essa não! Pronto, agora de que me adianta celular, bloco, câmera fotográfica, se o principal eu não tenho: a maldita credencial?? Fui até a entrada, apresentei a carteira do jornal, mas de nada adiantou. Fui barrada no Pan! Mas como dizer isso para o editor velhaco?
Já sei! Olha lá o boteco transmitindo tudo! Sento lá, peço uma caipirinha e apuro tudo da televisão! Uhu! Matéria salva! Que idéia brilhante!
- O Sr. pode me arrumar uma mesa, o mais próximo possível da televisão?
- Olha, essa área já está lotada. O ingresso para as mesas externas custa R$ 30,00.
- O que???? R$ 30,00 nas mesas externas?
- Vai querer uma?
- Como tem coragem de cobrar entrada no bar? E ainda para ficar do lado de fora?
- Ué, os táxis estão com bandeira 2 por causa do Pan, os flanelinhas cobram R$ 15,00, estacionamentos de shoppings triplicaram os valores. Por que eu não posso cobrar entrada para o meu bar? Estamos no Pan, minha senhora!
(e pensar que ele tem razão... infelizmente estamos no Pan... quer dizer, eu até deveria estar, mas...)
- Tudo bem, fazer o que, não é... mas tem como, pelo menos, aumentar o volume? É uma longa história, moço. O fato é que não posso perder nada da transmissão.
- Olha, diante do seu desespero, vou tentar colocá-la na mesa de uns turistas paulistas que não conseguiram ingresso e estão na área vip...
(área vip... pensem isso.. área vip num boteco! Não vou nem tentar descrever do que se trata..)
- Tudo bem...
- Mas ali são R$ 60,00.
- Mas isso é exploração!!!!!!!!!!
- R$ 60 ou nada!
- Está bem... aceito.
Lá fui eu para a mesa dos paulistas... os momentos com eles já renderiam uma outra história... pelo menos consegui fechar a minha matéria. Quanto às fotos, vou entrar em contato com alguma agência que tenha feito e compro as imagens, fazer o que?
É isso...
- Mesa vip no boteco para ver o Pan – R$ 60,00
- Duas caipirinhas – R$ 13,00
- Fotos compradas da Reuters – R$ 500,00
- Fazer a cobertura do Pan, no boteco da esquina, na mesa de paulistas – não tem preço!
quinta-feira, 19 de julho de 2007
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